Faz agora um pouco mais de um ano que o mundo em dominó confinou para se proteger de um vírus desconhecido de toda a comunidade científica. Hoje, um ano decorrido, maravilhamo-nos com os avanços alcançados pela ciência que foi capaz de, num curtíssimo espaço de tempo, produzir a arma mais eficaz no combate à Covid-19, a vacina. A generalização da inoculação a toda a população alimenta a esperança de que brevemente voltaremos a usufruir de uma vida normal. Mas este vírus já nos habituou a frenar os nossos ímpetos abruptos de desconfinamento e toda a prudência continua a ser necessária. Absolutamente imprescindível. 

Os primeiros três meses do ano foram vividos de forma intensa e avassaladora. Não será muito exagerado afirmar que os meses de janeiro e fevereiro terão sido os dois meses mais duros e dramáticos que todos vivemos desde o início da pandemia. Recordar as semanas consecutivas que ceifaram a vida a tantos e tantos portugueses, e que muitos outros lutaram até ao limite da resistência física e mental para continuarem a segurar-nos à vida, é um ato de cidadania. Durante estes primeiros três meses de 2021, tivemos duas inesperadas semanas de interrupção letiva no mês de janeiro. Regressámos ao regime de ensino não presencial durante sete longas semanas para as crianças da Educação Pré-Escolar e do 1º ciclo, período que se estenderá a nove semanas para todos os alunos do 2º e 3º ciclo do ensino básico que regressará a 5 de abril e a onze semanas no caso do ensino secundário, da Educação de Adultos e os dos formandos do Centro Qualifica que têm como data prevista de regresso o dia 19 de abril.

Estas sistemáticas e inusitadas alterações nas rotinas familiares e nas dinâmicas pedagógicas criaram dificuldades acrescidas aos alunos e foram acompanhadas, na grande maioria das vezes, pela dedicação e atenção das famílias e por um elevado empenho e profissionalismo dos professores. A interajuda demonstrada e a permanente comunicação entre todos permitiram alcançar um balanço extremamente positivo. Nos meses de janeiro e fevereiro, e aproveitando da melhor forma a ausência quase total das crianças e dos alunos, as assistentes operacionais de todas as escolas do Agrupamento dedicaram-se à formação profissional, valorizando assim as suas competências pessoais e profissionais.

O mês de março simbolizou, com o regresso das crianças e os alunos do 1º ciclo, o primeiro passo a caminho da normalidade. Uma semana depois do regresso, foram rastreados e vacinados professores, funcionários e técnicos da escola a tempo inteiro. Promovemos a reflexão interna e realizámos o balanço do 1º período e dos primeiros meses do 2º período em conjunto com as famílias, os alunos e os professores, com o intuito de nos conhecermos melhor, para juntos continuarmos a construir um projeto mais participado e integrador. Perspetivar um 3º período sem a existência de uma devida e saudável pausa letiva, capaz de repor a capacidade criativa e empreendedora de alunos e professores suscita preocupações adicionais com o bem-estar coletivo. Cá estaremos todos a remar para o mesmo lado.

Neste tempo estranho, não nos esqueçamos de que estamos na Páscoa. Para muitos, é uma Páscoa de solidão, passada em luto e entre tantos outros incómodos que a pandemia está a causar, do sofrimento físico até aos problemas económicos. Este não é tempo para o esquecimento nem para divisões, pois o desafio que enfrentamos envolve-nos a todos e não faz distinção entre as pessoas. Este é o tempo de apagar palavras como “indiferença”, “egoísmo” ou “esquecimento”. Este é tempo de dar força e esperança a médicos e enfermeiros, que nos proporcionam um testemunho de amor ao próximo até ao limite das suas forças e, por vezes, até o sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários, endereçamos a nossa saudação afetuosa e a nossa gratidão.

Desejo-vos a todos uma Páscoa feliz!

A escola segue dentro de momentos…

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Nuno Cabanas

Diretor