No dia 21 de outubro, o AGML recebeu a visita de um grupo proveniente da Pasform, uma organização de formação e apoio a adultos com deficiência intelectual, sediada em Mechelen, na região da Flandres, Bélgica. O grupo era constituído por nove adultos, com idades compreendidas entre os 24 e os 48 anos, duas profissionais da área da educação, uma voluntária e uma intérprete de língua neerlandesa.
A Pasform desenvolve um trabalho orientado para a promoção da inclusão social, da autonomia pessoal e da participação ativa dos adultos com deficiência intelectual na comunidade. A sua intervenção integra programas de formação estruturada em diferentes áreas, nomeadamente culinária, jardinagem e gestão da vida quotidiana, bem como workshops dedicados a temáticas sociais e culturais. Promove, igualmente, a participação em atividades de expressão artística e cultural, incluindo grupos de teatro e iniciativas de comemoração de efemérides. No âmbito da sua missão, a instituição procura desenvolver competências pessoais, sociais e funcionais, favorecendo a transição para o mercado de trabalho, designadamente através de modalidades de emprego apoiado ou protegido, e criando condições para uma vida tão autónoma quanto possível, mediante a disponibilização de níveis de apoio ajustados às necessidades, capacidades e potencialidades de cada pessoa.
A receção ao grupo foi preparada pelos alunos que frequentam o Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA) da Escola Secundária de Santa Maria (ESSM), por duas alunas da Escola D. Fernando II e pelas docentes de Educação Especial. Este momento constituiu uma oportunidade privilegiada de interação, partilha e aprendizagem recíproca, permitindo dar a conhecer os percursos educativos e formativos dos alunos do AGML e conhecer as experiências, os contextos de aprendizagem e as estratégias de desenvolvimento de competências dos adultos acompanhados pela instituição belga.
O encontro proporcionou uma reflexão conjunta sobre as práticas educativas e formativas dirigidas a pessoas com deficiência intelectual, com particular enfoque na promoção da autonomia, no desenvolvimento de competências para a vida diária, na participação social e na construção de percursos individuais que favoreçam a inclusão. A partilha de experiências entre os participantes e os profissionais envolvidos permitiu identificar pontos de convergência entre as abordagens desenvolvidas nos dois contextos educativos, bem como conhecer diferentes estratégias de apoio à aprendizagem, à autodeterminação e à participação na comunidade.
A relevância desta visita reside, sobretudo, na possibilidade de aprofundar o conhecimento sobre modelos e práticas de intervenção na área da educação especial e da formação de adultos com deficiência intelectual, promovendo uma perspetiva comparativa entre a realidade belga e o trabalho desenvolvido no AGML. Esta partilha assume particular importância para a reflexão sobre a adequação das respostas educativas e dos apoios individualizados, tendo em conta as características, os interesses, as necessidades de suporte e as potencialidades de cada pessoa. Simultaneamente, contribui para o reforço de uma cultura de escola inclusiva, assente na equidade, na valorização da diversidade, na participação efetiva e no respeito pelos direitos e pela dignidade de todos.
Iniciativas desta natureza favorecem, ainda, a sensibilização da comunidade educativa para a importância de criar contextos de aprendizagem acessíveis, participativos e socialmente significativos, nos quais as pessoas com deficiência possam desenvolver as suas capacidades, tomar decisões, estabelecer relações interpessoais e assumir um papel ativo na sociedade. A dimensão internacional do encontro permitiu, assim, alargar horizontes, promover o intercâmbio de práticas e reforçar a importância da cooperação entre instituições que partilham o compromisso de construir respostas inclusivas ao longo da vida.
No decurso da visita, os participantes tiveram também oportunidade de conhecer a biblioteca da ESSM e visitar a exposição dedicada a José Saramago, contactando com o património literário e cultural e alargando a experiência de intercâmbio a outras dimensões da vida escolar.
Esta visita constituiu um momento significativo de partilha de conhecimentos, valorização da diversidade e reflexão sobre práticas inclusivas, reforçando o compromisso do AGML com a promoção da aprendizagem ao longo da vida, da autonomia e da participação plena das pessoas com deficiência na sociedade.
A organização e o acolhimento desta iniciativa envolveram a colaboração de Ana Fernandes, Ana Sofia Guedes e Sara Raimundo, docentes de Educação Especial; Anabela Vieira, coordenadora de Educação Especial; Carlota Gaspar, coordenadora do Centro Qualifica (CQ); e Teresa Gaspar, elemento da equipa Erasmus+ ADU e formadora do CQ.







